Ação da amônia quaternária sobre Oídio e Mofo cinzento utilizando o produto comercial Vaporeon®
- Caio Amorim
- 20 de jul.
- 4 min de leitura
Uma única pulverização com o produto ocasionou a degradação dos esporos das doenças, interrompendo diretamente a reprodução e dispersão dos fungos.
Os fungos causadores de doenças em plantas (fitopatogênicos) produzem esporos como forma de reprodução, invisíveis a olho nu e altamente dispersos no ambiente pelo vento e, em alguns casos, pela água. No morangueiro semi-hidropônico, os principais exemplos são as podridões mole e cinzenta em frutos maduros, causadas por Rhizopus stolonifer e Botrytis cinerea, respectivamente. Há deterioração total do morango, inviabilizando seu consumo e comercialização. Na Figura 1 obtida pela Embrapa, é possível observar a característica da dos dois fungos.

Figura 1: Presença de esporos nas podridões por Rhizopus stolonifer (esbranquiçado) e Botrytis cinerea (acinzentado) em morango.
Além desses, outra problemática comumente encontrada em cultivo semi-hidropônico, o Oídio (Sphaeroteca macularis), doença favorecida por condições de baixa umidade atmosférica e baixas temperaturas. Além de infectar o fruto, danifica as folhas em sua face inferior e superior, caracterizada por uma massa de esporos de cor branca em ambos os casos (Figura 2).

Figura 2: Esporos de oídio nas folhas (esquerda) e no fruto (direita) de morango.
A fim de controlar essas e outras doenças que produzem esporos, são utilizados produtos sanitizantes com formulações que tem como objetivo desinfectar a planta e os frutos.
Como o processo é feito?
Produtos comerciais à base de amônia quaternária são amplamente utilizados em pulverizações a campo, geralmente em mistura com fungicidas, com o objetivo de potencializar o controle de patógenos e complementar a ação fungicida dos demais produtos aplicados.
Além dessa aplicação, compostos de amônia quaternária também são empregados como sanitizantes na pós-colheita de diferentes tipos de frutos, visando eliminar esporos de fungos e outros microrganismos presentes em sua superfície, contribuindo para a redução da incidência de doenças e para a conservação da qualidade dos produtos.
Como a amônia quaternária funciona?
Apresenta efeito fungicida, seja pela inibição da germinação (efeito fungistático) ou pela degradação de estruturas reprodutivas dos fungos, os esporos.
Em concentrações mais baixas, a amônia quaternária apresenta efeito fungistático, inibindo o desenvolvimento dos fungos sem causar sua morte imediata. Isso ocorre porque a membrana plasmática dos esporos é alterada quimicamente, prejudicando processos essenciais, a exemplo da produção de energia. Por conta disso, há efeito direto na germinação dos esporos, embora os danos causados ainda sejam reversíveis.
Quando em concentrações elevadas ou por períodos de contato mais longos, a amônia quaternária ocasiona danos irreversíveis à membrana plasmática, ocasionando o extravasamento de todo conteúdo celular e a perda da integridade da célula. Na prática, essa degradação faz com que os esporos percam a capacidade de infectar novas plantas e frutos.
De maneira mais aprofundada, a perda da integridade da membrana compromete processos fisiológicos fundamentais, como a manutenção do gradiente eletroquímico, a respiração celular e a síntese de proteínas e ácidos nucleicos, impedindo a germinação dos esporos e o crescimento do tubo germinativo.
Efeitos da amônia quaternária sobre Botrytis cinerea (Mofo cinzento) e Sphaeroteca macularis (Oídio)
Com objetivo de avaliar os danos visuais ocasionados sobre os esporos, realizamos a pulverização do produto comercial Vaporeon® em plantas de morangueiro semi-hidropônico infectadas, na concentração de 2 ml de produto para cada 1 litro de água.
Utilizando um microscópio digital modelo HAIZ HZ com aumento de 1600x, foram obtidas imagens das estruturas reprodutivas de ambos os fungos antes da pulverização com amônia quaternária (Figura 3). Destaque para as diferenças morfológicas entre os conídios (esporos) e conidióforos (estrutrura onde os conídios são formados) dos agentes Sphaeroteca macularis e Botrytis cinerea.

Figura 3: Estruturas reprodutivas de Sphaeroteca macularis (Oídio) à esquerda e Botrytis cinerea (Mofo cinzento) à direita, antes da pulverização com Vaporeon®.
Os esporos de Oídio são produzidos e dispostos em sequência de modo linear, com formato arredondado e coloração transparente (hialina), ao passo que no Mofo cinzento, possuem coloração esbranquiçada e estão dispostos de maneira agrupada nas extremidades do conidióforo, lembrando o formato de uma couve-flor.
Passadas 5 horas da pulverização com o produto Vaporeon®, avaliamos as estruturas com auxílio do microscópio, constatando a degradação completa dos esporos de ambas doenças pela amônia quaternária (Figura 4).

Figura 4: Estruturas reprodutivas de Sphaeroteca macularis (Oídio) à esquerda e Botrytis cinerea (Mofo cinzento) à direita, após a pulverização com Vaporeon®.
O efeito da amônia quaternária foi observado em um curto intervalo de tempo após a pulverização, demonstrando o efeito fungicida de degradação dos esporos, haja visto apenas a presença das estruturas onde eles são produzidos, ainda que visivelmente descaracterizadas. Isso prova que esse elemento químico é eficiente para interromper o ciclo reprodutivo dos fungos fitopatogênicos na cultura do morangueiro, sendo uma ferramenta importante no manejo dos mesmos.
Enfatizamos que há necessidade de que o produto entre diretamente em contato com os esporos, visto que devido às suas características químicas, tem ação apenas por contato. Isso significa que devemos "molhar" a planta por completo de modo que a calda com o produto possa atingir o alvo desejado: os esporos dos fungos. Recomenda-se utilizar adjuvante para melhorar o espalhamento e aderência das gotas pulverizadas, principalmente no oídio que se contra na face inferior das folhas. Além disso, recomenda-se a mistura com fungicidas químicos de ação sistêmica, pois desse modo haverá uma ação conjunta dos modos de ação, potencializando o controle das doenças.
Essa não foi uma pesquisa encomendada pela empresa detentora dos direitos econômicos do produto Vaporeon®, o posicionamento foi sugerido pelos profissionais da Universidade do Morango e testado sem finalidades comerciais. Ao final desse trabalho a empresa detentora dos produtos autorizou a sua divulgação.




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