Diferentes formas de consumo do morango movimentam a cadeia produtiva, impulsionando a demanda e garantindo renda ao produtor.
Impulsionado pela crescente demanda, o cultivo do fruto tem expandido a cada ano em diversas regiões, sendo reconhecido como fonte principal de renda para muitos dos agricultores familiares, além de representar uma alternativa de cultivo para diferentes produtores.
Aqui não discutimos apenas assuntos técnicos e de produção do morango, afinal de nada adianta produzir os melhores frutos se não houver um mercado consumidor, não é mesmo? Por isso, neste artigos iremos abordar as diferentes formas de consumo do morango e como isso impacta diretamente em toda a cadeia produtiva, fomentando esse fruto que é tão bem aceito pelas pessoas.
Diferentes públicos consomem e apreciam o morango em suas diferentes formas, o qual tem apresentado um aumento na demanda considerável, seja in natura ou para industrialização. Um dos pontos fortes é justamente essa versatilidade, abrindo um leque de opções ao produtor, que tem liberdade para determinar a forma de vender a depender da região em que está situado e até mesmo do público consumidor.
Comercialização e consumo in natura
O consumo in natura é a forma clássica quando se trata de morango, pois é um fruto prático para comer, necessitando apenas de higienização prévia. Como é saboroso e também saudável, tem aceitação garantida entre os consumidores.
É o ponto forte do mercado de morango. A maioria da produção é destinada dessa maneira, aonde os frutos são devidamente acondicionados em embalagens plásticas em formato de bandeja conhecidas como "cumbucas", envoltas por filme plástico. A comercialização pode ser feita diretamente ao consumidor final ou através de canais distribuidores, como CEASA e mercados. Usualmente a venda é feita por caixas contendo quatro bandejas, totalizando 1 kg de morango, modelo sob o qual é feita a precificação diária do fruto.

Contudo, existem opções para o beneficiamento do fruto, as quais agregam valor e são opções para quem quer investir além da bandeja.
Agroindústria
Além do consumo direto, o morango pode ser processado de diferentes formas, seja pelo produtor ou por padarias, confeitarias e indústrias. Entre as opções, podemos destacar: geleia, suco, licor, sorvete, bolo e uso na culinária de forma geral, além do fruto desidratado, congelado ou e em polpa.
Na propriedade uma opção prática é congelar os frutos, técnica muito utilizada e que garante conservação por mais tempo, de modo que o agricultor não perca sua produção caso a oferta esteja elevada em picos de produção e as vendas reduzidas. Como é um fruto altamente perecível, congelar é uma ótima opção.
O produtor ainda pode investir em estrutura para a fabricação de geleias e outros derivados dentro da propriedade, sendo uma ótima alternativa de diversificação na comercialização do morango. Vale destacar que existem órgãos públicos estaduais responsáveis pelo fomento e certificação dessas estruturas, além de capacitar os produtores para sua operação. No Paraná, temos o IDR que desempenha este trabalho de extensão.
Relacionado a isso, atualmente nos centros urbanos tem sido observado um crescimento no ramo de confeitarias, modelo de negócio que permite agregar ainda mais valor ao morango, que é processado em geleias para bolos e produção de doces, por exemplo. E tem mais: as redes sociais auxiliam diretamente nesse ponto, tendo em vista a ampla divulgação do "morango do amor" e "morango cravejado", formas de deixar o fruto ainda mais gostoso. É algo muito positivo pensando no aspecto comercial, pois esse tipo de "moda" impulsiona a demanda por morangos e beneficia toda a cadeia produtiva, principalmente quem produz.

Ainda existe a opção de venda para indústrias de maior porte, que fazem o processamento do morango em polpas e sorvetes, por exemplo. Nesse caso, o modelo de negócio geralmente é composto por uma empresa ou associação que recebe a produção de vários produtores, concentra um volume grande e envia para as indústrias o fruto congelado. A vantagem é que a demanda é estipulada por contratos, conferindo maior segurança ao produtor.
Vale destacar que todas as maneiras de comercialização exigem atenção no momento da colheita e na classificação dos frutos, separando os que estão fora de padrão comercial e também, a possibilidade de segregar por variedade com sabor mais atrativo e/ou tamanho, caso o mercado pague mais por isso.
Estímulo ao cultivo e mão de obra
Tendo em vista as opções de uso e comercialização do fruto, não faltam motivos para cultivá-lo. Não é a toa que produtores de grãos estão optando pelo morango como forma de diversificação e geração de renda, pois em meio a um mercado de commodities incerto e oneroso, o retorno financeiro do fruto traz mais segurança nesse aspecto.
Outro ponto positivo está relacionado ao fato de que é uma atividade geradora de empregos diretos e indiretos, dentro e fora da propriedade, tendo em vista a dimensão da cadeia produtiva, envolvendo desde mudas e insumos, até a estrutura de produção e comercialização.
Dentro da propriedade, a colheita, classificação e embalagem são as atividades que demandam de maior cuidado e tempo para serem feitas, pois o morango é um fruto bastante sensível. De maneira genérica, estima-se que uma pessoa realize o manejo geral da cultura em até dez mil plantas de morangueiro, embora seja uma proporção muito variável.

Sabemos que, além da homogeneidade de produção e equilíbrio de preços de venda ao longo do ano, o morango é uma fruta versátil. Então, para que o fruto chegue até a mesa do consumidor em suas diferentes formas, é necessário o trabalho conjunto de diversos setores, empresas e pessoas, movimentando a economia regional e nacional, sendo uma ótima alternativa de cultivo.
Vamos cultivar para que as pessoas possam consumir e apreciar cada vez mais esse fruto e seus derivados!




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